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sábado, 14 de março de 2009

ENTRE O SUTIL E O BIZARRO

(Texto do aluno Ricardo Aurélio Bandeira de Araújo Barsanulfo, 1º ano, Design de Moda, UEG)


Meados de 2004, a evidência fashion entre os adolescentes de 13 a 15 anos era o estilo gótico com todas as suas vestes e sombras e utopias – essas últimas não tão valorizadas assim. Mas ainda tinham aqueles que preferiam ficar de fora dessa tendência, assim como eu, e adotar algum outro estilo qualquer.
Nesse meio tempo de escolha do que usar, do que vestir e escolher quem sou, o que eu queria transparecer para a sociedade, minha mãe me sugeriu a idéia de um piercing. Em primeira instância, adorei a idéia, mas logo depois pensei: “não quero um piercing comum”, pra mim tinha que ser algo que as pessoas ainda não estavam muito acostumadas, daí me veio à cabeça:
– Pra que um piercing sendo que eu posso colocar três de uma vez? E assim eu fiz...
Em um belo dia apareci com três piercings de uma vez só, muito contente por ter conseguido fazer “algo diferente” da grande massa. A reação dos professores do colegial não foi das melhores:
– Como uma mãe deixa um garoto de 14 anos fazer uma coisa dessas com seu rosto?!
Mas ninguém ficou tão preocupado quanto minha mãe:
– Tira isso da sua cara agora!
Na verdade, poucos meses depois eu coloquei mais quatro: um do freio da língua, um na língua, um na sobrancelha e um no meio do lábio. Talvez eu quisesse somente aparecer, chocar a sociedade à minha volta, ou apenas estava fazendo o que eu queria e não o que me mandaram. Mas logo depois, a grande massa aderiu aos vários piercings e todos os meus perderam a graça pra mim, enquanto viravam tendência pra eles.
Então acabei tirando a maioria deles, o lado bom é que ninguém me chama mais de pára-raios ou penduricalho, ou qualquer outro nome agressivo. Ainda hoje possuo um pequeno piercing no freio do lábio superior da mina boca, pois descobri que eles fazem parte do que eu sou no momento; algo que talvez mude com o tempo, mas enquanto isso, fico nessa extremidade entre o sutil e o bizarro.

Um comentário:

Panmela 2º ano disse...

Adorei... alias sempre gosto dos textos criticos do Ricardo, falando de toda a sua revolta com a sociedade em geral...